terça-feira, 4 de outubro de 2016

Queijo amarelo vilão ou mocinho?




Parte integrante da dieta de vários brasileiros, o queijo é também motivo de preocupação para aqueles que desejam manter uma alimentação saudável. Até então acreditava-se que o alto teor de gordura e de calorias de alguns tipos mais saborosos, como parmesão e gorgonzola, trouxesse prejuízos para a saúde. Entretanto, uma pesquisa realizada pela Universidade de Copenhague mostrou que não é bem assim.

O estudo, publicado recentemente no “Journal of Clinical Nutrition”, provou que os exemplares mais gordurosos, na verdade, ajudam o HDL, o colesterol bom de nosso corpo. As 139 pessoas que participaram da pesquisa foram divididas em três grupos: o primeiro retirou o queijo completamente da dieta; o segundo consumiu apenas queijos com baixo nível de gordura; e o último passou a ingerir apenas queijos gordurosos – normalmente de cor mais amarelada.

Após 12 semanas, todos foram submetidos a exames de saúde para medir os níveis de colesterol, glicose, triglicérides e insulina. O resultado foi surpreendente: nenhum dos grupos teve alterações em seus níveis de LDL (colesterol ruim) – considerado prejudicial para a saúde do coração. Na verdade, aqueles que incluíram os queijos amarelados na dieta tiveram um aumento no nível do colesterol bom, o HDL.

O diretor do Instituto Mineiro de Endocrinologia, Geraldo Santana, explica que a relação entre colesterol e queijos gordurosos já vem sendo rediscutida há algum tempo. Segundo ele, as taxas de colesterol estão relacionadas mais à produção natural do lipídio pelo nosso corpo do que ao que ingerimos.

“Sabemos que apenas uma pequena parte do colesterol sanguíneo é proveniente do colesterol que ingerimos. A maior parte é produzida pelo nosso organismo e depende dos processos enzimáticos do fígado influenciados pelos hormônios e pela genética”, afirma.

Outro motivo que faz com que a gordura presente nos queijos não seja prejudicial para a saúde, em relação à alteração das taxas de colesterol ruim, é o fato de que se trata de gorduras naturais. “Existem alimentos que podem aumentar o colesterol. Mas são aqueles que contêm gorduras hidrogenadas, como pipoca de micro-ondas. Carboidratos refinados, como a farinha branca, também podem impactar as taxas de colesterol ruim”, explica.

Contraponto

Embora essa pesquisa possa ser um alívio para aqueles que desejam ter uma alimentação saudável sem se preocupar com o consumo de queijos, o cardiologista e diretor da Sociedade Mineira de Cardiologia Evandro Guimarães afirma que os detalhes do estudo devem ser analisados com cautela, como o número da amostragem, o uso de medicamentos durante a pesquisa e a dieta adotada nas 12 semanas.

“Os queijos mais gordurosos têm alto teor de gordura saturada, que faz com que o colesterol, tanto o bom quanto o ruim, aumente. Você tem uma taxa de gordura saturada que deve ser consumida para que o colesterol não se altere. Nessa pesquisa, provavelmente, as pessoas que consumiram os queijos gordurosos diminuíram a ingestão de outros alimentos com gordura saturada, por isso o resultado”, defende.



Um aliado na dieta de baixo carboidrato

Queijos com alto teor de gordura podem ser aliados na perda de peso. O endocrinologista Geraldo Santana explica que, em casos de dieta com baixo consumo de carboidratos, os queijos podem ser ingeridos em maior quantidade.

“Nesse tipo de dieta o que importa é a quantidade de carboidrato no alimento. E o queijo tem uma taxa muito pequena de desses compostos, além de ser boa fonte de proteína”, diz.


Entretanto, aqueles que adotam uma dieta de baixa caloria devem evitar os queijos amarelados, pois esses exemplares possuem alto valor calórico e podem fazer com que a pessoa acabe ganhando peso.

Fonte: O Tempo (Mariana Alencar)/FAEMG

Até mais....

Nenhum comentário:

Postar um comentário